| Ensaio Sobre a Cegueira |
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| Artigos por Temas - Cinema | |||
| Escrito por Silvia Geruza | |||
| Qua, 08 de Outubro de 2008 12:05 | |||
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Valter Meirelles, tirado do livro com o mesmo nome escrito por José Saramago, Português. A história narra a saga de uma cidade inteira quando um a um começa a ficar cego, até que finalmente toda a cidade vira um caos, e todos literalmente ficam cegos. O cenário interessantemente passa-se nas ruas de S. Paulo, intercalado com as ruas de Toronto, Canadá. Somente uma pessoa consegue ver, a mulher do oftalmo, e ela ajuda a todos, embora sofra porque é a única que consegue ver a miséria ao seu redor. Neste enredo podemos ver claramente que quando atravessamos circunstâncias difíceis nos deparamos com escolhas. Alguns escolheram ser maus, mesmo diante da mesma desgraça, e outros ser bons. Interessantemente, a heroína deste livro é uma mulher, e as mulheres também se constituem na esperança de sobrevivência dos homens. Como afirma Cottardo Calligaris, cronista da Folha de São Paulo: "caso um dia a gente tenha que recomeçar tudo do zero: em geral, as mulheres sabem, melhor do que os homens, o que é essencial na vida".
narrador, quando todos começam a recuperar sua visão, o que será desta mulher que suportou todo esse peso, agora que todos enxergam e podem tocar sua vida? Ela pensa, será que estou cega? Quando somos úteis porque ninguém mais consegue ser, será que precisamos ser tão diferenciados para ser notados? A maldade diante da impotência dos mais fracos é notável nesta história; a conformação de alguns e a luta e persistência de outros, a solidariedade, e principalmente a dor de uma pessoa que vê o que outros não conseguem ver. A corrupção e maldade do governo diante da luta pela sobrevivência. Um filme denso, muito bem produzido que nos deixa com a mesma sensação dos cegos de vez em quando, uma sensação de impotência e de dor. Ao sair do filme você se questiona que tipo de pessoa quer ser diante de uma epidemia, de uma circunstância adversa. Qual será sua escolha? Solidariedade ou maldade? Tenho a impressão que escolho a solidariedade, aqui e agora.
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