"Ser sábio é saber aquilo que é essencial para uma vida, se não feliz (ser feliz por inteiro é coisa muito rara!), pelo menos aberta a alegria. Ela nos pega com deliciosos momentos de distração.
Ser sábio é saber a arte de garimpar a alegria. o diamante vem misturado com muita areia. O sábio olha, vê o diamante brilhando, pega o diamante e despreza a areia. O tolo pega toda a areia. (...) A morte nos faz ver que gastamos muito tempo com lixo e, com isso, estragamos a vida."
Se estou vivo, a minha vida está me oferecendo muitas alegrias. As alegrias que ela me oferece são as mesmas alegrias que ela oferece a todos os outros que ainda não receberam o aviso e fazem de conta que não vão morrer. Por isso, porque eles não têm consciência de que o tempo passa rápido, eles não prestam atenção nas alegrias que a vida lhes oferece.
Friedrich Nietzsche disse:
"a certeza da morte poderia adoçar cada vida com uma gota perfumada de leveza..."
A vida é assim. Sei que estou pendurado sobre o abismo. Mas há muitos morangos a serem comidos...Eu comerei todos os morangos que puder, antes de cair.
Os morangos não são os mesmos para todas as pessoas. É a morte que nos obriga a escolher os morangos que queremos comer. (...) A hora de comer morangos é sempre agora.(...) O único tempo que está vivo e nos pertence é o agora. Então, é nesse agora que estamos vivendo que devemos comer o nosso primeiro morango.
Você começou essa conversa perguntando se eu vou morrer. É provável que eu morra dentro de um tempo não muito longo. Mas vou me esforçar para encher esse tempo que me resta com morangos vermelhos cheios de alegria...
pp. 92-93- Livro: Desfiz 75 anos- Rubem Alves.
Boa Leitura.