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Artigos por Temas - Familia
Escrito por Silvia Geruza   
Sex, 03 de Outubro de 2008 15:33

(Silvia Geruza Rodrigues)

Prov.31: 26-28a.

“Fala com sabedoria e ensina com amor. Cuida dos negócios de sua casa e não dá lugar à preguiça. Seus filhos se levantam e a elogiam”.

Ser mãe é o sonho de quase toda mulher. Idealizamos e sonhamos o que é ser mãe. Se menina, enfeitá-la com lacinhos cor de rosa, Maria Chiquinha, meias rendadas, etc. Se menino, os homens vibram mais com a possibilidade de ter um companheiro nas corridas, no futebol, etc. Não necessariamente sendo ruim para as mães que tendem a querer seu filhinho só para si, inclusive quando crescem.

Quando as filhas são do sexo feminino, a mãe vê muitas coisas nelas que encobriram em si mesmas, talvez pelo seu modo de criar, educar, passar os valores. E o que pode acontecer é que cada dupla de mãe e filha é reeditada na geração seguinte: o que aconteceu na geração anterior se não foi elaborado, tende a se repetir de uma maneira desconcertante na próxima. Não estou aqui querendo dizer que existe maldição familiar. Mas na psicologia nós temos o que chamamos de padrão repetitivo. Aquilo que você viu tanto no seu relacionamento com sua mãe pode repetir com sua própria filha. Ex: “Carol, cuidado senão você vai pro inferno. Jesus fica muito triste com criança assim”.

 A relação mãe e filha pode se tornar difícil porque aquilo que colocamos no porão escuro da nossa vida e não queremos ver nunca mais, aparece em nossos filhos com luzes ofuscantes.  O que rejeitamos em nós mesmos, geralmente aqueles sentimentos que temos, mas não aceitamos, por isso negamos de pé junto, pode encontrar em nossos filhos um terreno fértil. Um filho é, em parte e principalmente no início da vida, uma extensão de nós mesmos e um projeto de continuidade de descendência.

Se os pais têm maturidade psíquica para reconhecer no filho um outro, diferente deles mesmos, a qualidade desse relacionamento será boa, senão, terão enormes conflitos.

Relacionamento simbiótico - cortou o cordão umbilical fisicamente, mas emocionalmente continuou grudada. O problema é o não reconhecimento do filho ou filha como O OUTRO, ou A OUTRA.

As Famílias são compostas de fronteiras. Nas fronteiras rígidas, ninguém entra na vida um do outro, ou os de fora não entram nessa família. Nas flexíveis, um sabe do outro e cuida, mas dá espaço. Nas muito flexíveis, ninguém tem seu espaço. Todo mundo manda em todo mundo.

Se o nosso porão estiver entulhado de coisas, o filho ou a filha pode assumir para si a ingrata tarefa de cuidar do que está ali alienado, criando teia de aranha na mente da mãe e a impedindo de ser uma mãe mais inteira, mais livre e disponível psiquicamente.

Uma vez que manter porões cheios de coisas exige muito trabalho mental, isso significa uma mãe ocupada (sob pressão) com aquilo que ela não quer saber de si.

As crianças tendem a assumir a tarefa de reparar a mente disfuncional da mãe para que ela possa ser uma mãe considerada por Winnicot “suficientemente boa” para a criança. Aquela que não deixa faltar nada, mas é equilibrada.

Quanto mais uma mulher se dispõe a reconhecer suas dificuldades, seus fracassos, suas perdas, seus limites, maior a chance de que sua filha não precise se ocupar do que não lhe diz respeito e seja reconhecida como uma outra pessoa, e não como uma continuidade da mãe.

Ex: pais que quiseram fazer algo e não conseguiram pressionam os filhos para conseguirem por eles.

Se os pais têm um filho ou filha que conseguem ser psiquicamente independentes, desagradam-se disto, porque querem os filhos sempre dependentes.

Ex: mãe que ficou chateada porque a filha não pediu que a ajudasse a fazer a mala. A individualidade da filha pode ser um fator de desorganização psíquica da mãe. Gerando dor, frustração, tristeza.

Quando uma mãe não foi amada na infância, tem dificuldade de amar sua própria filha. Não se pode dar o que não se recebeu da própria vida e o que não se herdou.

Pode haver disputa entre mãe e filha pelo amor do marido e pai, como na história da Branca de Neve. A mãe disputando com a filha – valores, beleza. (adolescendo)

Toda mãe é rainha, madrasta e bruxa. Toda filha é sonhada bela para suceder a mãe, e esta beleza pode ser apreciada e sustentada prazerosamente por uma mãe que pode ser uma bela mulher madura como a rainha, entre muitas outras belas mulheres.

Compartilhar belezas é possível a partir de um certo estatuto psíquico que implica a capacidade de entristecer, de envelhecer, de pensar na finitude e na sucessão de gerações, na qual somos apenas um elo.

Embora a relação seja difícil entre mãe e filhos, também pode ser surpreendente, realizador e prazeroso.