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A Mulher no Seculo XXI PDF Imprimir E-mail
Artigos por Temas - Mulheres
Escrito por Silvia Geruza   
Sex, 03 de Outubro de 2008 12:07

Introdução

 

Falar sobre a mulher sempre nos reporta à palavra FRAGILIDADE, que pode ser representada por sensibilidade, doçura, flores, corações vermelhos. Porém, a mulher também pode ser reconhecida por sua fortaleza e trabalho. Mesmo na antiguidade o sábio Salomão, na antiguidade descreve a mulher ideal.

A mulher ideal exercia, como hoje, multipapéis. Prov. 31:10-30 a descreve muito bem. Na época em que ele a descreveu, a mulher nem podia naquela cultura saber nada sobre Deus, a não ser através do marido, quando casada. Não podia aparecer na sala de visita quando o marido estivesse recebendo visitantes do sexo masculino. Seu nome nem poderia aparecer na boca de homem nenhum nos portões da cidade, nem para ser elogiada, muito menos difamada. Quando deixava de depender do pai, ia diretamente para a dependência do marido, e quando viúva dos filhos do sexo masculino ou até a oitava geração que tivesse de homens que herdavam diretamente tudo que seu marido tinha em vida.

Resumindo, a mulher, na sociedade antiga e até mesmo nos meados do século XIX era prisioneira do sexo masculino, sem direito a ser ouvida, a ler e a escrever, e a exercer qualquer coisa na esfera política ou social. Seu papel se limitava a procriar e cuidar da casa. Interessante que até a idade média ela também nem cuidava dos filhos, porque crianças não tinham tanta importância no lar como hoje. Elas eram criadas por ama de leite e muitas vezes até mesmo em outra casa. Em Roma e na Grécia, as crianças eram afastadas do seu lar aos cinco anos de idade para serem educadas pelo governo.

Como, Salomão, um homem conhecido como o mais sábio da antiguidade, fala da mulher ideal aquela que luta pelo bem estar financeiro, social e emocional do seu lar?

 

A mulher moderna caberia perfeitamente no perfil descrito por Salomão. Empreendedora, zelosa por seu lar, boa administradora, interessada no social (v.20), otimista, planeja para o futuro, amada por seus filhos e marido, e acima de tudo ama a Deus. Uau, que mulher.

Talvez pensemos que naquela época a mulher não sofria violência, como hoje. Hoje segundo dados da OMS (www.terra.com.br/mulher/mulher_1htm), uma em cada três mulheres já foi vítima de espancamento ou coação para manter relações sexuais. Naquela época ela sofria dos mesmos danos, porém não havia dados estatísticos, e ninguém acreditava mesmo no que a mulher falava. Diante de um juiz, a palavra de 10 mulheres não valia tanto quanto a de um homem só.

Atualmente, a violência doméstica se encontra na maioria das sociedades e é uma das causas mais freqüentes de suicídio entre as mulheres. Se observarmos a história mundial, em Londres, onde se encontra um grande número de indianos e na própria Índia, são comuns notícias de mulheres mortas com ácido no rosto ou queimadas pela própria sogra ou marido por atos de “desobediência”. Na China, era comum, talvez seja ainda hoje, deixar os bebês do sexo feminino morrerem à míngua, porque é terrível poder ter somente um bebê e que esse primeiro seja mulher.

A mulher conseguiu através das suas lutas conquistar um certo espaço na sociedade. Conforme o Ministro da Educação, Paulo Renato, atualmente, 58% dos estudantes do ensino médio no Brasil são do sexo feminino e 42% do sexo masculino; no ensino superior a percentagem de mulheres efetivas nos cursos é ainda maior, 68% dos alunos são mulheres e 32% homens (www.terra.com.br/brasil/2001/03/08/042htm). No mundo empresarial, a participação da mulher no mercado de trabalho cresceu, representando hoje 40% da força de trabalho no país e 24% dos gerentes.

A mulher lutou desde os anos 30 conseguindo o direito ao voto, e nos anos 70 com o movimento feminista, ingressar no mercado de trabalho. Ela conseguiu de uma certa maneira sua independência financeira. Conseguiu, de fato uma jornada tripla, pois a organização da casa ainda lhe cabe, apesar de tantos avanços, quando uma criança adoece, é a mãe que precisa faltar no trabalho para tomar conta dela. Uma mulher para ser bem sucedida financeiramente somente consegue alcançar um grau de chefia nas empresas se superar as expectativas e trabalhar duas vezes mais do que um homem no mesmo cargo, embora ainda ganhe 30% a menos que ele.

Porém, apesar de todo avanço, ainda reside na mulher uma grande necessidade: a de amar e ser amada. Aliás, creio que é algo bem presente no ser humano, porém mais na mulher do que no homem. O homem quando encara um casamento, ele pensa em construir uma família. A mulher, em ser amada. O inconsciente coletivo (Jung) ainda informa à mulher que ela tem a necessidade de ser cuidada e amparada.

Gostaria de dissertar um pouco sobre essa fragilidade que pode ser uma arma poderosa para sua realização, como uma armadilha para sua dignidade:

 

1. Uma cultura interessante era a cultura celta. Os Celtas dominaram a Europa Central e Ocidental por milhares de anos. Mas só mais recentemente os Celtas influenciaram a Europa no seu desenvolvimento cultural, lingüístico e artístico. Os Celtas com grupo e raça, há muito que desapareceram, exceto na Irlanda e nas Terras Altas da Escócia.

A bravura dos Celtas em batalha é lendária. Eles desprezavam com freqüência as armaduras de batalha, indo para o combate de corpo nu. Os homens e as mulheres na sociedade Celta eram iguais; a igualdade de cargos e desempenhos eram considerados iguais em termos de sexos. As mulheres tinham uma condição social igual á dos homens sendo muitas vezes excelentes guerreiras, mercadoras e governantes.

 

As mulheres de origem Celta eram criadas tão livremente como os homens, A elas era dado o direito de escolherem seus parceiros e nunca poderiam ser forçadas a uma relação que não queriam. Eram ensinadas a trabalhar para que pudessem garantir seu sustento, bem como eram excelentes amantes, donas de casas e mães.

 

Essas mulheres tinham um manual, que gostaria de citar:

 

A primeira lição era:

 

“Ama teu homem e o segue, mas somente se ambos representarem um para o outro o que a Deusa Mãe ensinou:

Amor, companheirismo e amizade.”

 

Jamais permita:

 

Jamais permita que algum homem a escravize, porque você nasceu livre para amar, e não para ser escrava.

 

Jamais permita que o seu coração sofra em nome do amor.

Amar é um ato de felicidade, por que sofrer?

 

Jamais permita que seus olhos derramem lágrimas por alguém

que nunca fará você sorrir!

 

Jamais permita que o uso de seu próprio corpo seja cerceado.

Saiba que o corpo é a moradia do espírito, por que mantê-lo aprisionado?

 

Jamais se permita ficar horas esperando por alguém que nunca virá,

mesmo tendo prometido!

 

Jamais permita que o seu nome seja pronunciado em vão por um homem

cujo nome você sequer sabe!

 

Jamais permita que o seu tempo seja desperdiçado com alguém que

nunca terá tempo para você!

 

Jamais permita ouvir gritos em seus ouvidos. O Amor é o único que pode falar mais alto.

 

Jamais permita que paixões desenfreadas transportem você de um mundo real para outro que nunca existiu!

 

Jamais permita que os outros sonhos se misturem aos seus, fazendo-os
virar um grande pesadelo!

 

Jamais acredite que alguém possa voltar quando nunca esteve presente!

Jamais permita viver na dependência de um homem como se você tivesse nascido inválida!

 

Jamais se ponha linda e maravilhosa a fim de esperar por um homem que não tenha olhos para admirá-la!

 

Jamais permita que seus pés caminhem em direção a um homem que só vive fugindo de você!

 

Jamais permita que a dor, a tristeza, a solidão, o ódio, o ressentimento, o ciúme, o remorso e tudo aquilo que possa tirar o brilho dos seus olhos, a dominem, fazendo arrefecer a força que existe dentro de você!

 

E, sobretudo, jamais permita que você mesma perca a dignidade de ser MULHER!!!

 

Salomão, ao descrever a mulher ideal, ele menciona que o marido dessa mulher a elogia, como também seus filhos.Creio que a dignidade é o que a torna digna de elogios. Quando uma mulher se valoriza e se ama a ponto de não se deixar escravizar pelos tabus da sociedade e nem pelas vozes externas que se interiorizam e a roubam do seu direito de SER.

 

Simone de Beuavoir, no seu livro “O Segundo Sexo” (1949) afirmou que

 

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino. Somente a mediação de outrem pode constituir um indivíduo como um Outro.”

E é exatamente durante seu crescimento, imposição da sociedade, maneira de ser criada que lhe impõe todo o estigma, preconceitos e até mesmo o próprio modo de se ver.

 

O filósofo Soren Kierkegaard afirma: “Que desgraça ser mulher! Entretanto, a pior desgraça quando se é mulher é, no fundo, não compreender que sê-lo é uma desgraça....”

 

Jean Paul Sartre afirma: “Metades vítimas, metade cúmplices como todo mundo.”

 

Para Sartre, qualquer mulher que almejasse estudos, e crescimento intelectual tinha alguma coisa de errado no seu aparato sexual. Isto é, só poderia ser mulher-homem....que horror.

 

Apesar de tudo isso, ou , por causa de tudo isso, a mulher enfrenta sempre um conflito entre o que a sociedade exige dela e o que ela é, ou deseja ser.

 

Simone Weil,, filósofa, nos fala que não possuímos nada no mundo – um simples acaso pode nos roubar de tudo – menos do poder de dizer “EU”. Nada no mundo pode nos roubar do poder de dizer Eu, a não ser um momento de extrema aflição. O que pode destruir nosso Eu, vem de fora, e quando permitimos que isso aconteça, segundo Weil, é um sofrimento quase infernal.

 

O sofrimento começa quando entra o sentimento de sobrevivência. A vida fica sem forma. Quando um ser humano é roubado do seu EU, da sua própria essência do SER, a vida torna-se menos desejável do que a morte e começa-se a viver um quase inferno na terra, um desraigamento completo na aflição. Ser roubado do seu EU é como ter sido tirado tudo por ladrões. É ter perdido a roupagem do caráter.

 

Quando o escrito sobre as mulheres celtas fala que ela deve guardar acima de tudo a dignidade, é exatamente isso que Deus quer nos dar, e por isso está escrito por Salomão, numa época quando a mulher não tinha nenhum valor, que essa mulher pode ser sim empreendedora, pode cuidar da casa, filhos, estudar, ser Ela mesmo, e ter seu valor reconhecido pelo homem que ela ama e quer ter consigo.

 

Conclusão:

Em Deus, a mulher é considerada igual ao homem

 

 

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