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Mulher: apta para ser líder? PDF Imprimir E-mail
Programas - Rádio Musical FM
Seg, 27 de Outubro de 2008 22:45

Silvia Geruza

Desde o meado do século XX que tem se comentado, argüido e contra-argumentado sobre a mulher na liderança na igreja evangélica, aliás, na igreja cristã. Algumas poucas  igrejas tradicionais, muitas pentecostais e neo-pentecostais têm se mostrado abertas para liderança e ordenação de mulheres. A linha tradicional contra a mulher no ministério apresenta vários argumentos que tentaremos discutir ao longo das publicações, por limitação de espaço. Um deles que gostaríamos de focalizar é o argumento da natureza. Os tradicionais postulam o fato de que o homem por ter sido criado primeiro do que a mulher, tem o papel de exercer autoridade ou liderança sobre ela, designando-se como "cabeça espiritual".

Este se baseia em Gn.2:15-24. Contudo, se lermos atentamente os capítulos um e dois de Gênesis, não encontraremos uma ordem hierárquica existente entre o homem e a mulher na história da criação. Ambos, homem e mulher foram feitos à imagem de Deus (1:26-27) e ambos participavam da missão designada por Deus para eles sem nenhuma distinção de papéis (1:28). O fato de o homem ter sido criado primeiro do que a mulher não lhe designou autoridade sobre ela, e sim  que os dois vivam em unidade. O que realmente trouxe uma ordem hierárquica entre o homem e a mulher foi a entrada do pecado no mundo (2:18). A submissão da mulher ao homem não fazia parte do plano original de Deus. Antes da queda, homem e mulher viviam em harmonia um completando o outro. Com a queda, gerou-se hierarquia, maldição, o homem agora sofreria para conseguir seu sustento, e a mulher sofreria para dar à luz seus filhos. Porém, o único raio de esperança na declaração da maldição aparece com referência à mulher: em Adão todos morreram, porém Eva, como mãe de todos os viventes, traria vida e de sua semente brotaria a redenção.

A queda realmente teve conseqüências catastróficas para a relação entre Deus e os seres humanos, e entre eles próprios. O homem agora se tornara escravo da terra de onde fora formado, e a mulher ao homem da qual fora tomado. A posição de governante e súdito surgiu após a queda, mas não podemos esquecer da redenção em Cristo Jesus, que renova todas as cosias (2 Co.5:17). Cristo criou uma comunidade de reconciliação, a família de Deus, a Igreja. Nele os efeitos da queda se revertem. Segundo Gilberto Bilezikian:

"Na nova comunidade prevalece a paz (...) Onde havia um Éden perdido e alienado de Deus, agora há uma família de reconciliação na qual todos podem chamar Deus de Pai (Gl. 4:4-7); Onde havia terror frente a um grande violador do Éden, a própria morte, agora há uma certeza da vida eterna ( Jo. 11:25-26. Onde o trabalho havia sido uma maldição, agora se transforma em benção ( 2 Ts. 3:12-13); Se antes se comia o pão com trabalho e dor, agora o pão se transforma em um sinal da generosidade de Deus para ser compartilhada com outros (Hc. 2:45); Se antes havia a palavra que "ele terá autoridade sobre ti", o Evangelho dispõe que "assim como o esposo ama a seu próprio corpo, assim deve amar também a sua esposa"". ( Ef. 5:28)...

Usa-se o argumento da escolha de Deus de que o primogênito teria autoridade sobre os outros irmãos, e Adão seria como um primogênito, porém esta prerrogativa não encontra suporte pelo fato de que Deus não segue necessariamente esta ordenança humana, pois escolheu Jacó e não Esaú (Gn. 25:21-26), José do Egito e não seu irmão mais velho. O próprio Paulo declara que em Cristo, "a ordem da criação de a mulher ser proveniente do homem é equilibrada pelas mulheres dando à luz a homens (1 Co. 11:11-12)".

Esperamos que a igreja comece a pensar, redargüir para dar à mulher o seu espaço para servir a Deus de acordo com seu chamado e não com idéias pré-concebidas ou preconceitos.

Gilbert BILEZIKIAN, El lugar de la mujer en la iglesia y la família, p.78 (tradução livre)
2 Idem, p.147.