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Atitudes diante da Vida PDF Imprimir E-mail
Programas - Rádio Musical FM
Sex, 02 de Janeiro de 2009 21:47
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LUCAS 2.8-14, 20

HAVIA PASTORES QUE ESTAVAM NOS CAMPOS PRÓXIMOS E DURANTE A NOITE TOMAVAM CONTA DOS SEUS REBANHOS. E ACONTECEU QUE UM ANJO DO SENHOR APARECEU-LHES A GLÓRIA DO SENHOR RESPLANDECEU AO REDOR DELES; E FICARAM ATERRORIZADOS, MAS O ANJO LHES DISSE: NÃO TENHAM MEDO. ESTOU LHES TRAZENDO BOAS NOVAS DE GRANDE ALEGRIA, QUE SÃO PARA TODO O POVO. HOJE NA CIDADE DE DAVI, LHES NASCEU O SALVADOR, QUE É CRISTO, O SENHOR. ISTO LHES SERVIRÁ DE SINAL: ENCONTRARÃO O BEBÊ ENVOLTO EM PANOS E DEITADO NUMA MANJEDOURA. DE REPENTE, UMA GRANDE MULTIDÃO DO EXÉRCITO CELESTIAL APARECEU COM O ANJO, LOUVANDO A DEUS E DIZENDO: 'GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS, E PAZ NA TERRA AOS HOMENS AOS QUAIS ELE CONCEDE O SEU FAVOR.' " (...) "OS PASTORES VOLTARAM GLORIFICANDO E LOUVANDO A DEUS POR TUDO O QUE TINHAM VISTO E OUVIDO, COMO LHES FORA DITO.

 

INTRODUÇÃO

Não sei se é somente hoje, ou se o homem tem vivido sempre ansioso e com medo. Na antiguidade os césares romanos viviam com medo de traição, e realmente acontecia. Não se podia confiar nem nos familiares mais achegados. A luta pelas terras, pelos países, pela expansão dos reinados era constante. Não havia paz.

Hoje vivemos dias tensos e ansiosos como antes. Não é algo novo. Os medos mudam de nomes, mas permanecem rondando o ser humano. Temos medo da inflação, da corrupção, dos bandidos. Atualmente temos medo de perder o emprego, tudo é tão inseguro. As mulheres ciumentas têm medo de perder os maridos. Homens ciumentos, inseguros por medo de perder suas esposas. Filhos inseguros com medo de levar bronca, surra dos pais ao menor deslize que derem.

Medos, medos, medos. Há pessoas que têm medo de enfermidades. Outras têm medo da morte. Outras pessoas medo de sofrer. Medos, medos, medos. Há outros que têm medo do inesperado, de mudanças.

Neste relato vemos os pastores calmamente cuidando calmamente do seu rebanho, quando de repente viram um clarão, e logo em seguida um anjo. Eles ficaram aterrorizados: o que seria isto que estamos vendo?

Ao que o anjo lhes acalmou dizendo que trazia boas notícias. Era de paz sua vinda. E ele anuncia o nascimento de Jesus- As boas notícias eram que Jesus, o filho de Deus, aquele que os salvaria de várias coisas havia nascido.

A notícia do nascimento de Jesus Cristo os acalmou, retirou seu terror. Do que será que Jesus pode nos libertar além das trevas?

Confesso que ao visitar igrejas católicas não gosto da imagem de Cristo, as esculturas de um Jesus todo sangrento, desfalecido, como se estivesse pedindo nossa ajuda. Gosto muito de um hino antigo que fala:

TODA VEZ QUE LEIO A HISTÓRIA DE CRISTO

EU FICO A PENSAR COM GRANDE EMOÇÃO

DO PRIVILÉGIO QUE MUITOS TIVERAM

DE VER O SEU ROSTO

TOCAR SUA MÃO

EU TAMBÉM QUERIA A MESMA ALEGRIA

DE TÊ-LO BEM PERTO

BEM JUNTINHO A MIM

E AO VER AS GRAVURAS DO ROSTO PINTADO

DAQUELS QUE DIZEM SER O MEU SENHOR

MEU SER NÃO ACEITA O QUE ESTÁ NA TELA

É FALSA A INSPIRAÇÃO DO PINTOR

NÃO CREIO NÃO CREIO

NUM CRISTO VENCIDO

CHEIO DE AMARGURA

SEMBLANTE DE DOR

EU CREIO NUM CRISTO

DE ROSTO ALEGRE

POIS CREIO NUM CRISTO

QUE É VENCEDOR.


Cristo é vencedor. Ele nasceu numa manjedoura envolto em panos, com a companhia dos animais, de pastores, mas hoje ele ressuscitou após cumprir sua missão.

Alguns filósofos e sociólogos pintam Jesus como passivo, e um em especial, o filósofo Paulo Ruanet disse que a primeira grande experiência traumática para a humanidade foi a figura de Jesus durante sua experiência de crucificação, porque representa aquele ser humano que se permite ser crucificado por não conseguir dizer não às ordens do pai, que o envia ao sacrifício.

Contudo, Jesus não foi esse passivo que muitos pintam. Ele soube dizer vários nãos, e quer nos libertar dos medos e nos ensinar a dizer não ao medo, não ‘a prisão emocional, não à dor física.

VEJAMOS ALGUNS EXEMPLOS:

1. LIBERDADE DE ESCUTAR OUTRAS VOZES

Com 12 anos (Lc 2, 42) Jesus fugiu da companhia de seus pais e foi encontrado em um templo discutindo com os sábios e os exegetas da época. Quando os pais lhe deram uma bronca ele respondeu: "Vocês não sabiam que eu tinha que cuidar dos negócios do meu Pai?"

Ele aqui mostra sua liberdade de escutar outra Voz, além da dos pais.

2. LIBERDADE DE DESCOBRIR SUA IDENTIDADE

Num outro exemplo, Jesus resolve seu problema de se libertar do comando da mãe. Numa boda em Canaã, o vinho acaba e sua mãe lhe diz: Eles não têm vinho. Jesus responde: Mulher, o que há entre mim e ti? Ainda não chegou a minha hora.

Essa é uma forma estranha de falar com a mãe para nossos padrões, e eram para os dias de então. Mas, quando ele chama sua mãe de mulher, ele quer que ela entenda que era hora de ela parar de se identificar somente como mãe. Que precisava entender que era mulher também. Aqui ele nos ajuda a entender que mãe não é somente mãe, é também uma mulher, que tem sua própria vida a realizar.

Podemos trazer isto também para nossa realidade de que um filho não é somente um filho. Ele deve ser ele mesmo. Jesus vem para nos libertar da dependência da mãe, do pai. O filho é também filho de Deus que precisa descobrir sua própria identidade em relação à sua liberdade de transcender. Nossos filhos precisam descobrir seus próprios caminhos espirituais.

Se a mulher exerce somente papel de mãe, o que lhe acontece quando os filhos saem de casa? A mulher precisa existir como mulher para ter um sentido. Jesus quer a liberdade de todos, a começar pelos seus.

3.      LIBERDADE DA IDOLATRIA

Quando um homem o chama de bom mestre, Ele o repreende. Lc 18: 18-19- "Por que você me chama bom? Não há ninguém que seja bom a não ser somente Deus."

Jesus não endossou a idolatria por um homem ou por ninguém. Ele soube dizer não a isto.

4.      LIBERDADE DA DOR FÍSICA E EMOCIONAL

Jesus soube ser ativo em dizer não: Ele disse não várias vezes ao sofrimento físico ou psíquico. Sempre que pode, Jesus alivia o sofrimento e cura os doentes. Ele liberta os chamados de possuídos pelos demônios, pelos pensamentos. Jesus diz não à doença física e psíquica lutando contra elas.

Quando estivermos com medo da vida, devemos nos lembrar das boas notícias que chegou um Salvador que nos quer ver também ativos em dizer não.  Jesus disse não ao seu próprio sofrimento: Mat. 26, 42: "PAI, SE POSSÍVEL, AFASTE DE MIM ESSE CÁLICE." Jesus agiu exatamente o contrário de alguns que apregoam o comodismo ao sofrimento, a submissão à dor e até o autoflagelo. Jesus não buscava o sofrimento, e antes de aceitar o que estava por vir, disse não.

O sofrimento não é bom, Jesus nunca disse isso e o provou curando os doentes, expulsando demônios e dizendo não ‘à dor que lhe acometeu. Ele não era um masoquista (aquele que tem prazer sentindo dor.)

Ex: reportagens na TV depois de enchentes, furacões, etc., e a resposta das pessoas: "Ah, estou como Deus quer." Não, mil vezes, não. Deus não nos quer sofrendo. Deus não nos quer passivos diante da dor. Claro, que quando tudo for feito para nos curar para nos cuidar e o sofrimento permanece, neste momento Jesus diz sim. Ele diz sim para atravessar o sofrimento.

UMA FRASE MUITO IMPORTANTE QUE JESUS FALOU:

MINHA VIDA NÃO A TOMAM DE MIM, SOU EU QUE A DOU.

Não é passividade. Você pode ser o SUJEITO DA SUA HISTÓRIA. NÃO PRECISA SER O OBJETO DA HISTÓRIA.

OBJETO é quando você se deixa levar pelas circunstâncias. Os outros comandam sua vida. Sua história é escrita pelos outros.

SUJEITO é quando você escreve sua história com suas próprias decisões, suas próprias mãos.

Ninguém tiraria a vida de Cristo, Ele escrevia sua própria história. Ele dava sua vida por você e por mim.

Essas palavras são de um sujeito do EU SOU. Não é a fala de alguém que se faz objeto da violência e das circunstâncias. E sim de alguém que vai nos mostrar como permanecer sujeito, como ser capaz do Eu sou, no coração da injustiça e do inaceitável.  Isto salva em nós a humanidade, o que há em nós de mais humano, em circunstâncias injustas e desumanas. Meu EU PERMANECE INALTERADO, SUJEITO DA MINHA HISTÓRIA;

Com essas palavras Jesus salva o que nele há de humanidade e também de mais divino: a capacidade de perdoar, de aceitar o inaceitável. Isto nos diz que não devemos nos deter na Sesta-Feira Santa, no Cristo crucificado, sofredor. Cristo queria nos ensinar justamente o contrário, porque sua última mensagem não é de sofrimento e de derrota, é um caminho em direção à ressurreição.

Queridos, Jesus nasceu, viveu, morreu e ressuscitou. Isto quer dizer que não será a violência que terá a última palavra, nem a morte. Pois o amor é mais forte do que a morte, mais forte do que o absurdo, mais forte que a violência. A beleza do cristianismo é que nada é perdido, nem mesmo o fracasso. Até mesmo na Cruz cristo consegue ser nobre. Até mesmo na cruz ele consegue perdoar. Ele se torna o sujeito da sua história quando clama: Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que estão fazendo. Ali ele tomou sua história em suas mãos.

O que fazer de nossos fracassos, à luz deste Cristo, desta boa notícia que nos foi trazida? O ser humano é sempre maior do que a doença que lhe acomete, é sempre maior do que a injustiça que lhe acontece; Nesse sentido, sempre que estivermos enfrentando nossos medos precisamos trazer nossa humanidade à tona e nos tornar sujeitos da nossa história.

A minha vida ninguém a tira, sou eu quem a dou. Mesmo na nossa morte e em situações mais insuportáveis, como Cristo podemos introduzir o dom, a vida divina. Este é o segredo da Ressurreição.

É no sofrimento e nas nossas provações assumidas e vencidas que descobrimos o Eu Sou que realmente somos.

NÃO TENHAM MEDO, DISSE O ANJO, POIS LHES TRAGO BOAS NOVAS: HOJE NASCE UMA PESSOA, CRISTO JESUS, PARA LHE LIBERTAR DOS SEUS MEDOS, DAS SUAS DORES, PARA LHE TORNAR O SENHOR DA SUA PRÓPRIA HISTÓRIA.