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O Ato de Amar PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Silvia Geruza   
Dom, 01 de Março de 2009 14:44
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Existe uma diferença entre amor e paixão. Dentre muitas, existem os fatores atividade e passividade. Atividade denota ação, passividade denota inércia, falta de controle sobre sua ação.

Exemplo: quando alguém trabalha incessantemente por causa de uma insegurança e solidão, ou movido por uma ambição, ela está sendo levada por impulsos, então não tem controle sobre o que está fazendo. Portanto, uma pessoa que age por impulsos é escrava de uma paixão, portanto sua atividade é de fato uma passividade, segundo Erich Fromm (A Arte de Amar:1991). Por outro lado, quando alguém medita e se senta calmamente, sem nenhum objetivo a não ser acalmar seu coração ou se ligar a Deus, embora sua atitude demonstre passividade, ela está ativa porque somente uma alma livre e independente consegue se acalmar sem esperar retorno.

O amor , portanto é poder dar sem esperar nada em troca. Só se consegue amar verdadeiramente no exercício da liberdade.

O amor é uma atividade, e não um afeto passivo; é uma ascendência, não uma queda. O amor consiste em dar, não receber. Infelizmente vivemos em uma época mercantilista, e não raro escutamos tolero palestrantes sobre o amor dizendo que devemos depositar no nosso banco amoroso com atitudes, para depois ter o lucro, ou depois sacar. Não, dar não é depositar para depois sacar. Dar é a mais alta expressão de poder, porque quando se dá prova-se a própria força, riqueza e poder.

Quando se dá experimenta-se alegria, cheia de vida. Melhor coisa é dar do que receber, diz a Palavra Sagrada.

Vemos no relacionamento a dois este ato de dar. O homem entrega de si, e a mulher o recebe. Se ela falha no ato de se entregar, é frigida. No ato de mãe ela conhece o ato de dar. Dá-se ao seu filho que cresce dentro dela, dá seu leite, dá-lhe o calor de seu corpo. Não dar seria doloroso.

Quando alguém pode dar a outros, é rico. O pobre não consegue dar. Se você não consegue dar de si a outros, você é pobre de espírito, uma pessoa empobrecida. Quando um pobre não consegue dar ele sofre duplamente: sofre por não ter nem para si mesmo, e sofre por não conseguir compartilhar.

Não se deve dar esperando algo em troca, porém quando você dá, você produz alegria e você se alegra em ter trazido algo à vida. Portanto, ao dar sempre haverá retorno.

O amor é uma força que produz amor. Impotência é a incapacidade de produzir amor. Não é só no amor que dar significa receber. Quando um professor tem alunos, ele também aprende com seus alunos. O ator é estimulado por sua audiência, o psicoterapeuta também recebe de seus pacientes. Aprendizado de vida, experiências que somadas enriquecem que as ouve.

Dar depende muito do caráter da pessoa. Pressupõe nobreza, altruísmo. O ser humano que consegue dar sem avareza já superou a dependência, o desejo de explorar os outros, de amealhar, de seu narcisismo. Quando alguém tem medo de dar, também tem de amar.

Alem de dar, o amor carrega em si alguns elementos básicos e que são comuns a todas as formas de amor: cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento.

O cuidado no amor evidencia-se principalmente no amor de mãe e filho. Ela cuida, ela nutre ela o ajuda a se desenvolver. Não deveria ser assim no relacionamento a dois? As mulheres geralmente demonstram mais este instinto maternal até mesmo no seu relacionamento adulto. Ela geralmente quer cuidar do marido, ou do ser amado, zelar para que não adoeça, cuidar quando está doente.

Amor é uma preocupação ativa pela vida e crescimento daquilo que amamos. Aqui vale um parêntese . (o casamento, ou o relacionamento a dois, deve ser na verdade um espaço de individuação- um espaço onde um ajuda o outro a crescer, e estimula-o a crescer). Quantas vezes um dos parceiros quer impedir o outro de crescer por competição e inveja, isto não é amor, é egoísmo. Devemos lembrar que o relacionamento a dois não deve envolver uma luta para saber quem é melhor, mais alto e quem recebe o maior dividendo nesta relação.

A essência do amor é fazer alguma coisa crescer. Amor e trabalho são inseparáveis. Ama-se aquilo por que se trabalha, e trabalha-se por aquilo que se ama. Isto é, quando o romance se encontra na fase da conquista, os parceiros lutam, trabalham para conquistar o coração amado. Porém, não se deve esquecer que quando se ama, deve-se continuar lutando para reter o objeto do seu amor satisfeito e que no relacionamento deve haver um conquistar diário.

Cuidado e preocupação implica em outro aspecto do amor: RESPONSABILIDADE. Há UMA FRASE que foi muito dita quando O Pequeno Príncipe foi escrito. Um menino encontra um aviador com um avião caído em um deserto, chamado Pequeno Príncipe, e ao longo dos dias lhe dá algumas lições de vida. Uma das frases que mais marcou este livro foi: "Torna-se eternamente responsável por aquilo que cativas."
Esta frase tem um simbolismo muito rico. Responsabilidade é entendida muitas vezes como um dever imposto de fora a alguém. Porém, responsabilidade deve ser um ato inteiramente espontâneo, é o resultado do amor. Queremos suprir as necessidades do outro. Ser responsável é responder à necessidade do objeto de nosso amor. A mãe tem uma responsabilidade pelo filho que é inerente a ela. Achamos um absurdo quando uma mãe abandona seu filho ou tenta mata-lo. Provavelmente esta mãe sofre de alguma doença mental.

Cuidado, porém, para não confundir responsabilidade com autoritarismo. Um terceiro elemento do amor ativo é RESPEITO. A palavra respeito vem de RESPICERE que significa olhar para. Respeito é a capacidade de ver uma pessoa tal como é, ter conhecimento de sua singularidade, sua unicidade. Quem respeita quer que o outro cresça e se desenvolva por si mesma, da sua maneira e não somente para lhe servir.

Quando se ama alguém, sente-se um com este alguém, mas do jeito que ele ou ela é, não como necessito para que me sirva. Claro que somente consegue-se respeitar o outro quando você mesmo já amadureceu.

Ex: diferença cultural. Diferença financeira. Quando a mulher ganha mais do que o homem ele se ressente. Quando ela tem mais diplomas ou mais conhecimento, ele se ressente. Machismo.

Conhecimento é o quinto elemento. Só se respeita alguém quando a conhece. O amor é filho da liberdade, nunca da dominação. Amar implica em confiar. Você precisa conhecer profundamente quem você ama, porque só assim você confiará nela e a respeitará.

Homens que não gostam de falar, de dialogar dificultam o relacionamento. Quando um fica zangado não quer falar. Não se pode ficar na periferia do outro, conhecer artificialmente (daí a necessidade de um relacionamento mais longo antes de assumir o sério compromisso de casar. (saca de sal juntos).

Ex: ao ver alguém irritada, ver o que está por detrás disto, pode ser ansiedade, preocupação por algo mais forte. Quando você reconhece isto você vê uma pessoa que sofre, não alguém raivoso.

Cuidado, porque no ela de conhecer o outro temos a tendência de querer dominar. Queremos penetrar no segredo do outro, e com isto podemos até destruí-lo, porque algumas pessoas não estão prontas para revelar seus íntimos segredos, os mais profundos.

Mas, existe um outro caminho de conhecer o segredo da alma de um ser humano: AMAR. No ato da fusão eu conheço o outro, eu me conheço . No ato de amar, de dar-me, de penetrar a outra pessoa, eu me encontro, descubro-me, nos dois nos descobrimos e descubro o outro.

O amor transcende o pensamento, as palavras, é o mergulho ousado na união. Contudo, você primeiro precisa se conhecer para querer conhecer o outro. Por isto a necessidade de se ser inteiro antes de entrar em algum relacionamento a dois.

Torna-se necessário se conhecer e conhecer o outro objetivamente, a fim de poder ver sua realidade, de superar as ilusões, as distorções de imagem trazidas pela idealização do ser perfeito.

Cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento constituem uma síndrome de atitudes somente encontradas na pessoa amadurecida, na pessoa que desenvolve produtivamente seus próprios poderes, que só quer ter aquilo pelo que trabalhou. Consegue ter estes atributos somente alguém que abandonou seus sonhos narcisistas, egoístas de onisciência e onipotência, que adquiriu a humildade alicerçada na força íntima somente dada pela genuína atividade produtiva: O AMOR.

Silvia Geruza F. Rodrigues