Downloads

Visitantes On-line

Nós temos 2 visitantes online
Bulimia Nervosa PDF Imprimir E-mail
Programas - Rádio Musical FM
Sáb, 24 de Janeiro de 2009 17:04
bulimia-nervosa

Alguns sintomas e definições

Definição de Bulimia Nervosa, segundo o DSM - IV

"A Bulimia Nervosa é caracterizada por episódios repetidos de compulsões alimentares seguidas de comportamentos compensatórios inadequados, tais como vômitos auto-induzidos; mal uso de laxantes, diuréticos ou outros medicamentos; jejuns ou exercícios excessivos. Uma perturbação na percepção da forma e do peso corporal é a característica essencial tanto da Anorexia Nervosa quanto da Bulimia Nervosa" (DSM-IV, p. 555)

LAXATIVOS E DIURÉTICOS

  • Muitos fazem uso de diuréticos e ou laxativos, bem como de medicação indicada para hipotireoidismo.
  • Ingerir laxativos, a fim de neutralizar, afastar impulsos ou pensamentos desconfortáveis à consciência
  • Outras complicações podem advir, em função do uso de catárticos e laxativos que causam, quando usados em larga escala: Elevação da aldosterona sérica; Pancreatite aguda; Hiperamilasemia; Esteatorréia.

Critérios Diagnósticos para a Bulimia Nervosa (Segundo a Associação Psiquiátrica Americana)

1. Episódios repetidos de "binge eating".
2. Comportamento compensatório (indução de vômitos, uso exagerado de medicamentos para emagrecer, etc.) para impedir o ganho de peso.
3. Média mínima de dois episódios de "binge eating" por semana, nos últimos 3 meses.
4. A auto-avaliação da imagem corporal é erroneamente influenciada pelo peso e forma corporais.
5. Estes critérios não estão presentes apenas durante episódios de anorexia nervosa.

Tipos de Bulimia Nervosa:

Purgativo: Indução de vômitos, uso de laxativos, diuréticos, etc.
Não-purgativo: Prática de dietas, exercícios em exagero, etc.
A Bulimia é diferente da Anorexia

Dinamismo Psíquico:

Observada em pacientes psicóticos, bordelines ou neuróticos;

Incapacidade generalizada de retardar a descarga do impulso;

Ego enfraquecido e um superego frouxo;

Comer e  evacuação excessivos tipicamente co-existem com relacionamentos sexuais impulsivos, autodestrutivos e abuso de drogas;

Relacionamentos interpessoais como uma forma de obter punição de fontes externas.

Dinamismo Psíquico:

Punição: grande agressão inconsciente dirigida às figuras paternas. Esta raiva é deslocada para a comida que é, então, canibalisticamente destruída;

Incapazes de regular seus relacionamentos de modo satisfatório = comida;

Simbolicamente destroem e incorporam as pessoas pela garganta.

Dinamismo Familiar e em Crianças

Na família de bulímico, há uma grande necessidade de cada um ver a si mesmo como totalmente bom;

Os aspectos inaceitáveis dos pais são projetados na criança bulímica, que passa a ser o depósito de tudo o que é ruim. A criança identifica-se com essas projeções, passando a ser portadora da voracidade e impulsividade de toda a família. O foco da doença fica sobre a criança e não nos conflitos dos pais ou entre os pais.

Não há um objeto transicional, como uma chupeta ou um cobertor;

A ingestão de alimentos representa um desejo de fusão simbiótica com a mãe e a expulsão da comida uma tentativa para separar-se dela;

Geralmente, os pais das crianças que se tornam bulímicas se relacionam com elas como extensões de si próprios;

Os pais tentam validar seu próprio self, utilizando-se do self do filho.

Pesquisa realizada pela FM/USP: Comportamentos

42,6% - exercícios fazem em excesso;

34,1% - fazem duas horas ou mais de atividade física;

80,9% - provocam vômito;

74,5% - usam laxantes;

55,3% - usam inibidores de apetite;

36,2% - usam diuréticos.

A VISÃO DE MELANIE KLEIN

  • A relação com o primeiro objeto implica na introjeção e projeção, sendo que ambas participam da construção do ego e do superego e do aparecimento do Complexo de Édipo.
  • O bebê, através da projeção, expulsa o desconforto que o faz sofrer. Ele vai introjetar o que lhe gratifica.
  • Os impulsos orais libidinais e destrutivos são dirigidos ao seio da mãe.
  • É preciso que haja uma interação entre os impulsos libidinais e os destrutivos, equivalendo à fusão entre os impulsos de vida e de morte.
  • Quando há um desequilíbrio, devido a privações ou a um quantum de pulsão de morte maior, os impulsos agressivos são reforçados, dando origem à voracidade.
  • Quando a agressividade inata da criança é forte, são despertadas: a ansiedade persecutória, a frustração e a voracidade.
  • Quando há voracidade, a incorporação oral é feita com violência, o que conduz, na fantasia, à destruição do objeto. Ao final da incorporação violenta, não há satisfação oral, sendo que o objeto introjetado não tem valor, ou, pior que isso, transforma-se num perseguidor retaliatório, em reação ao ataque sádico oral efetuado no processo de incorporação.
  • Na bulimia, a fome insaciável corresponde à voracidade. Come-se muito numa tentativa de se incorporar bons objetos que conduzam à gratificação. Uma vez introjetado de forma violenta, no entanto, o objeto desejado é estragado pelos impulsos maus mobilizados. Daí a necessidade de expulsá-lo de si pelo vômito

A Visão de Sigmund Freud:

  • Narcisismo Primário

Seu protótipo está na fase intra-uterina

Fase anterior ao Ego

Ausência total de relações com o meio externo

Indiferenciação entre Ego e Id

A criança investe sua libido somente em si mesma

  • Fase Oral
Necessidade x satisfação >> boca

Alimentação >> conforto, acalento, etc.

Relação pré-objetal

Incorporação do objeto

Boca: o bebê controla

Alguma energia fica catexizada nos meios de satisfação (gratificação) oral

  • Fase oral e vida adulta

Pessoas que mordiscam constantemente, fumantes e os que costumam comer demais podem ser pessoas fixadas na fase oral, cuja maturação psicológica pôde não ter completado.

A retenção de algum interesse em prazeres orais é normal. Este interesse só pode ser encarado como patológico se for o modo dominante de gratificação, i.é, se uma pessoa for excessivametne dependente de hábitos orais para aliviar a ansiedade.

Pensamentos finais

"A bulimia serve para destruir, por sufocamento, a criança ávida que, no sujeito, reclama e exige o amor único o qual almeja exclusivamente." (Pierre Fédida) (Hercowitz, 2000:32)

"Na clínica, a bulimia aparece como a busca por um gozo impossível, um tormento, um sofrimento, uma doença. Inicialmente aceita, até mesmo escolhida e procurada, esta conduta, quando passa a ser repetida, se torna fonte de angústia e causa de alienação: o sujeito se sente obrigado a realizar atos que o despojam de si mesmo." (Brusset, in: "Bulimia, uma introdução", 1999, p.92)  (Hercowitz, 2000:37)

"O transtorno alimentar é uma defesa contra o medo de ser invadida por este objeto, a necessidade deste sendo tal que, a partir do momento em que ela tem uma relação de prazer com alguém, isto constitui uma ameaça narcísica. A função do transtorno aparece como pára-excitação e limites entre si e o objeto." (Jeammet, 1999, p.39)  (Hercowitz, 2000:42)

"Atingir o corpo ideal tenderia, para a paciente, a corresponder enfim a um estereótipo que, ao mesmo tempo, a designa e no qual perde, concomitantemente, sua identidade num tipo ‘uni-forme'".  (Lippe, 1999, p.87)   (Hercowitz, 2000:28)