| Alegrias e Bolas de Sabão |
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| Artigos por Temas - Psicologia | |||
| Escrito por Silvia Geruza | |||
| Qua, 07 de Abril de 2010 10:29 | |||
![]() Segundo Rubem Alves, psicanalista e escritor, Alberto Caeiro devia estar muito alegre ao escrever este poema, pois a alegria não é um estado constante, ela ocorre subitamente, sem que nos percebamos. A alegria acontece, segundo Guimarães Rosa, em momentos raros de distração. Não há como produzi-la. Ela simplesmente vem e vai como o sopro do vento, com a fugacidade de bolinhas de sabão. Contudo, é exatamente nestes momentos que sentimos que valeu a pena ter vivido, para experimentá-los. ALBERTO CAEIRO As bolas de sabão que esta criança se entretém a largar de uma palhinha são translucidamente uma filosofia toda. Claras, inúteis e passageiras como a Natureza, Amigas dos olhos como as cousas, são aquilo que são. Com uma precisão redondinha e aérea E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa pretende que sejam mais do que parecem ser.
Algumas mal se vêem no ar lúcido. São como a brisa que passa e mal toca nas flores E que só sabemos que passa porque qualquer cousa se aligeira em nós e aceita tudo mais nitidamente.
Segundo Alves, por detrás de qualquer queixa nos consultórios clínicos se esconde a vontade de ter alegria. Sim, a alegria torna o mundo mais leve,mais brilhante.
Ah, mas de vez em quando, sem se saber bem o porquê, ou se sabe , mas não se quer reconhecer, a alegria some e o mundo inteiro perde sua leveza, torna-se sombrio, sem cor. A indiferença toma conta do indivíduo, e o desejo de dormir sem retorno se apodera dele. Cito Rubem Alves:
Rubem Alves não fala somente da tristeza do deprimido, ele traz esperança. A alegria pode voltar. De repente, um dia você acorda e percebe que o mundo voltou a ser colorido e cheio de bolhas translúcidas de sabão... é sinal que a alegria voltou. (inspirado no livro Desfiz 75 anos de Rubem Alves. p.11-12.)
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