| A Escala dos Niveis de Amor |
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| Artigos por Temas - Relacionamentos | |||
| Escrito por Silvia Geruza | |||
| Sex, 03 de Outubro de 2008 11:45 | |||
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por Jean-Yves Leloup Da mesma forma que existem diferentes níveis da consciência, há também diferentes níveis na escala do amor. Esses diferentes níveis nos colocam numa perspectiva de aprofundamento da nossa própria característica amorosa, conosco, com os outros e com os nossos companheiros e companheiras a quem vivenciamos de maneira mais contundente essas características. No amor partimos em um movimento ascendente: a libido, a paixão, a compaixão. É a mesma energia que ascende e nos atravessa. Os problemas sexuais, algumas vezes, são modos de misturar as formas de amor. Por exemplo, o incesto é uma mistura deste amor muito pessoal e muito belo de um pai ou de uma mãe por seu filho, com o amor erótico de um ou uma mulher para com sua bem-amada ou seu amante. Vejamos os níveis do amor. Amor Pornéia (porneia)Em grego, há diferentes palavras para estas etapas do amor. A primeira etapa é Pornéia (porneia), o amor voraz e devorador, o amor do bebê por sua mãe, o amor de consumo. Amo o outro, portanto como-o. Este amor é muito lindo em um bebê, é muito lindo em um gatinho que lambe seu leite. É menos bonito em um senhor de 50 anos. A Pornéia é uma forma de amor que precisa ser respeitada e que ocorre em um momento de nossa evolução. Para crescer, temos necessidade de nos nutrirmos do outro. Amor Pathé e Manía ( Pate, Mania)As palavras seguintes, em grego, são Pathé e Manía (Pate, Mania).Ovídio escreveu “A arte de amar” que é a arte de evitar tornar-se amoroso. Porque para os antigos gregos e romanos, estar amoroso é uma doença. É uma possessão. “A arte de amar” de Ovídio é a arte de evitar cair neste estado de possessão. Traduzimos a palavra Pathé por paixão e ela está na origem da palavra patologia. É interessante verificar que, na tradição grega, algumas formas de amor são formas de possessão, de Manía, como por exemplo: maníaco-depressivo. A paixão faz-nos passar por estados extraordinários, maravilhosos, mas pode ser também um inferno, pelo ciúme que desencadeia. Este amor não é de consumo, não é um amor devorador, mas é um amor de posse, de dependência e também, uma necessidade. Aqui, o amor não é um dom, é uma necessidade, uma solicitação. Há casos em que uma pessoa está namorando ou casada , mas sente a necessidade de uma outra pessoa, e até sente ciúmes se vê tal pessoa com alguém. E até comenta que ama tal pessoa. Às vezes, o que chamamos de amor não é senão posse, dependência,necessidade. Estas forma de amor é uma forma de sofrimento que pode levar a pessoa a matar. O que diz a voz do povo: “Matou por amor”. Na cultura ocidental, pelo número de canções e de romances tristes que ouvimos e lemos, temos a impressão de que não existe amor feliz. Todas as histórias de amor são, ao mesmo tempo, histórias apaixonadas, possessivas, ciumentas e, freqüentemente, dolorosas. Amor Éros ( Eros)Depois vem a palavra Éros ( Eros), que expressa não somente um amor de solicitação e necessidade, mas também de desejo. Éros é um jovem deus. É ele que dá asas ao nosso falo, à nossa necessidade e a nossa libido. Éros é já uma forma muito evoluída de amor. Não estamos mais no consumo que caracteriza a criança e o adolescente, mas começamos a viver uma sexualidade adulta. Um amor de uma pessoa por outra, desejando-a e maravilhando-se com ela. Para Platão, Éros é o amor da beleza, o amor da grandeza que nos falta. Éros é o sexo alado, o sexo que encontra suas asas. E, atualmente, a palavra Éros está muito próxima da palavra Pornéia. Amor StorguéA palavra Storgué pode ser traduzida como ternura e harmonia que é uma palavra muito bonita para falar de amor. É uma maneira de Harmonizar o seu ser com o ser do outro, Sri Aurobindo dizia que os problemas entre os seres humanos são problemas de ritmo. É uma experiência muito bela harmonizar sua respiração (seu Sopro), com a respiração do outro. Esta harmonia entre duas pessoas tem como conseqüência uma cura da terra. Os antigos chineses diziam que, da harmonia entre o homem e a mulher, depende a harmonia do universo. Não estamos mais ao nível da necessidade, da paixão, nem mesmo do desejo. Estamos no mundo da harmonia e, pouco a pouco, nos aproximamos da compaixão. Amor Philia (Filia)Chegamos à palavra Philia (Filia) que é muito interessante. Vocês a encontram em Filosofia (amor à sabedoria), em Filantropia (amor aos seres humanos). Em grego, distingue-se diferentes formas de Philia. A Philia Physiqué é o amor parental, a amizade entre parentes. O amor da mãe ou do pai pela sua criança e vice-versa. É, igualmente, o amor de irmãos. Este , às vezes, é um amor difícil, porque a inveja, a concorrência vem tudo destruir. Mas como diz Rousseau, “um irmão é um amigo que a natureza nos dá”. Esta é uma forma de relação muito preciosa. A Philia Zeiniqué é o amor da hospitalidade, o respeito aos outros, o respeito por aqueles a quem recebe. Temos aqui uma qualidade de relacionamento que é diferente das relações familiares. Não há a mesma familiaridade, mas pode havera mesma profundidade e pode mesmo ser mais profundo. Temos amigos com quem temos relações mais íntimas que com nossos irmãos, irmãs e pais. A Philia Etairiqué é o verdadeiro amor-amizade entre dois Egos, duas pessoas. É o amor do dar e do receber, uma relação de confiança, ajuda, parceira. E diz o provérbio que aquele que tem um amigo é mais rico que aquele que tem um reino. Porque podemos viver com este amigo o que temos de mais humano. A Philia Erotiqué é também uma amizade, um amor com respeito, um amor que respeita a liberdade do outro. É uma espécie de amizade-amorosa. Não é muito fácil de entender porque não é paixão, não é dependência, mas há uma qualidade de ternura, de harmonia, de grande respeito e atração que faz dela uma amizade mais profunda. Aristóteles dizia: “Um Homem e uma Mulher podem se unir ao sentirem qualquer tipo de amor, mas só permanecerão unidos se a Philia Erotiqué for o sentimento mais profundo que um tem pelo outro”. Às vezes misturamos as formas de amor. Quando Philia Physiqué se mistura com a Philia Erotiqué, Há uma forma de incesto. Quando Philia Zeiniqué se confunde com Philia Erotiqué esquece-se o respeito, a distância que se deve àquele a quem se recebe como um hóspede. Não podemos exigir do hospede uma intimidade que supõe um conhecimento maior, com partilha do seu espírito e do seu psiquismo, ou mesmo com manifestações ao nível do corpo. Amor ÉnnoiaHá ainda outras palavras para designar o amor. A palavra Énnoia quer dizer dom, a doação e, às vezes, o devotamento. É uma qualidade de amor que manifesta uma grande generosidade do coração. É a libido, a energia vital que se manifesta ao nível do coração. Amor KhárisKháris significa gratidão. Ter gratidão pela existência do outro. Agradecer ao outro porque ele existe e maravilhar-se pela sua existência. Não sei se alguma vez já lhe agradeceram porque vocês existem. É um grande presente. E freqüentemente, uns com os outros. Faltamos com a gratidão. Vivemos na ingratidão. Somos como grandes bebês a quem tudo é devido, tudo é normal. Amor Ágape (Agape).Finalmente, chegamos à última palavra do Vocabulário grego, Ágape( Agape). Podemos traduzi-la como a graça ou gratuidade. Ambas têm a mesma etimologia. É esta gratuidade em que se ama por nada, por causa de nada. Não sei se vocês viveram esta experiência: amar sem Ter nada em particular para amar. Amar não a partir de sua carência, mas amar a partir de sua plenitude. Amar não somente a partir de sua sede, mas amar a partir de sua fonte, de sua fonte que corre. Amor e Relação SexualA palavra amor tem sentidos bem diferentes. Não é preciso opô-los uns aosoutros. Há uma criança que tem fome e sede, um adolescente que pede para ser reconhecido, nomeado, chamado. Não podemos esquecer o desejo que nos habita. Somos igualmente capazes de harmonia e de ternura e seria uma lástima nos privarmos da amizade, desta troca, deste partilhar, desta capacidade de doação e de perdão que habita em nós. E devemos fazer também a experiência do que há de graça, de gratidão e de gratuidade em nós, fazemos a experiência de Deus em nosso interior. Somos convidados a introduzir em nossa libido, em nossas experiências sexuais, em nossas paixões devoradoras, em nosso ciúme possessivo, a compaixão. Introduzir a graça Ágape. Fazer isso não só pela nossa felicidade e bem-aventurança, mas também pela cura de nossa sexualidade. Se vivermos no nível da harmonia e ternura, alguma coisa se relaxará em nossa libido. As relações sexuais vão mudar. E o sexo não terá mais a mesma importância. O importante será a relação do meu ser com o outro ser. O amor é como o arco-íris do qual não conhecemos todas as cores. Só a experiência do amor nos permitirá visitar todas as cores do arco-íris. A relação sexual se tornará um local de evocação de Deus. Porque o sexo é o local onde se encarna a vida. Por isso é algo sagrado. Infelizmente em nossa época o sexo tem se tornado profano e um instrumento do mal e do pecado. Mas na sua origem ele torna-se um sacramento se é acompanhado por uma palavra de ternura, por uma palavra de amor. Se é acompanhado pelo coração e se o coração é acompanhado pela inteligência. Neste instante o sexo se torna um ato profundamente humano e divino. Uma palavra de amor estendida para o outro. Uma palavra de amor, aberta, que acolhe o outro. Neste instante o sexo passa a ser o local da Aliança do homem com mulher e, vice-versa, e dos homens com Deus. Quando quisermos, abramos os olhos e tenhamos um pensamento de benção por aqueles que convivem conosco e que vamos reencontrar em nossa caminhada. Tudo isso com, para e por um amor fecundo e gratuito. SHALOM!!! Colaboração: Letícia Moraes (Grupo Suigeneris.Pro) Fonte: http://www.suigeneris.pro.br/escnijyl.htm
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