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Por que as mulheres têm tanta dificuldade para compreender os homens? PDF Imprimir E-mail
Artigos por Temas - Relacionamentos
Escrito por Silvia Geruza   
Ter, 07 de Outubro de 2008 10:04

UM CHIMPANZÉ

            Um homem é, para começar, um Chimpanzé. Conheces os Chimpanzés, sabes como são? Não? Bem, o Chimpanzé é um bicho extremamente sedutor. A presença de uma fêmea parece provocar nele uma excitação incontrolável, que o leva a fazer toda uma série de macaquices no intuito de chamar sua atenção (não tem sossego até conseguir...)

         Quando decide partir para uma conquista, faz uso de todos os seus recursos, que não são poucos, e dá mostras de uma persistência tão inigualável quanto invejável. Além de esperto, é um imitador nato, experimenta um prazer especial fazendo imitações (é mestre em imitar a imagem que sabe que a fêmea tem do parceiro ideal; é um verdadeiro camaleão). É envolvente e aprende, com uma rapidez extraordinária, a fazer aquilo que a fêmea espera que ele faça: aprende a adaptar-se aos gostos e aos desejos da sua... feliz eleita e faz até o impossível para a ver satisfeita. É tremendamente comunicativo (qual é a mulher que não gosta e não se rende aos encantos de alguém comunicativo?!) Seu olha é enigmático e portador de inúmeras e românticas mensagens. É um bom observador e não deixa escapar nada que possa interessá-lo. Nunca deixa de perceber detalhes que poderiam ajudá-lo na hora da conquista. Sua brilhante inteligência é digna de nota e nunca passa despercebida.

         Uma das características mais marcantes do Chimpanzé é a extraordinária força que possui, sobretudo a dos seus braços, com os quais sabe dar uns abraços muitos gostosos. É, também, incrivelmente brincalhão, sempre está de bom humor. Sabe brigar, mas tratando-se da sua amada... revela com a maior facilidade, logo fica manso feito cordeirinho, não guarda mágoas. Muito afetuoso, adora rolar no chão, abraçado com a eleita do seu coração. Quando está do lado dela, sente borboletas na barriga. De tão orgulhoso, parece um pavão.

         - E quando está longe?

         - Fica indócil, irreconhecível, dir-se-ia que mais parece um peixe fora d’água.

         - Sem dúvida, um bicho simpaticíssimo...

UM LOBO

         Mas ocorre que o nosso homem também é um Lobo. E como um Lobo, faz     questão absoluta de marcar, com muita precisão, o seu território. Não deixa nenhuma dúvida a respeito de onde ele começa e onde ele termina. Quem quiser se aventurar nele... deverá ater-se às conseqüências (não importando nem cor nem tamanho!). Qualquer presença ameaçadora provoca um rosnado bem característico (que com freqüência vem acompanhado de um ouriçar do pêlo e uma exibição dos dentes). Ai de quem ousar mexer com sua fêmea! Um pequeno deslize do desavisado pretendente pode custar-lhe muito caro. Tem um olhar ameaçador (que desencoraja qualquer candidato a gaiato, desses que acham que “caiu na rede é peixe”) e uma profunda visão capaz de perceber qualquer sinal de ameaça... Sua resposta não se faz esperar, é quase que imediata e pode ser definitiva. Ele quer que se saiba que é o único a canta de galo nesse terreiro.

         O Lobo é capaz de fazer de tudo para garantir o sustento da sua parceira e das suas crias. É uma questão de honra. Para fazê-lo, porém, com um certa freqüência, deve ausentar-se por longos períodos do lar. A caça não está disponível nem por perto, nem facilmente. Para dar conta do recado, deve ficar muito tempo longe da toca. É, reconheçamo-lo, um excelente provedor, e ele faz absoluta questão de ser reconhecido por isso. Sua auto-estima depende, em boa medida, desse reconhecimento. Quando sua parceira não reconhece seu esforço e seu sucesso, fica tão triste e amuado que mais que logo parece um cão sem dono.

         Mas sua constante luta pela sobrevivência – dele e da sua família – deixam-no muito estressado. Nessas circunstâncias, que ninguém pense em chegar perto dele, fica com um humor de cão!

         - Com o Lobo completa-se a descrição da constituição do homem?

         - Não, para concluir a primeira etapa de identificação do homem, será preciso que agreguemos mais um personagem da sua composição.

TATU

         O homem também é um Tatu... e como tal possui um cérebro minúsculo, o que o torno praticamente inadestrável, ineducável. (Tentar adestrá-lo é decidir-se a perder tempo da maneira mais inútil.) Faz aquilo que faz, da forma que sempre fez e daí não passa. Não conta com imaginação suficiente para supor que as coisas poderiam mudar. E, insistamos, é uma tarefa vã querer que aprenda a ser diferente... Tatu nasceu e Tatu morrerá (e se orgulha disso).

         Não se pode esquecer que tem um mijo fedido e vive deixando o território marcado com o mesmo, parecendo tirar disso uma certa satisfação. Também, vamos lhe fazer justiça; qual o bicho que consegue viver sem marcar claramente seu território? É insociável ao extremo e ao menos barulho se esconde, deixando atrás de si uma terrível bagunça que nunca conserta.

         É muito exigente. As coisas têm de ser feitas da maneira que ele quer, do contrário fica agressivo e muito irritado. Sua forma de manifestar seu descontentamento é característica, tranca-se, recusando-se a comunicar abertamente sobre o assunto. Se alguém quiser compreendê-lo... terá que adivinhar seu pensamento. No fundo, sempre conta com um álibi, acredita que não falar significa não dizer nada.

         Uma das suas características mais salientes é que tem uma couraça muito forte (que lhe serve para se proteger de qualquer agressão e até de qualquer aproximação que lhe pareça um pouco ameaçadora). Sua barriga é muito fofa e sensível, mas não tente chegar perto, pode ser muito perigoso, o que o deixa nervoso, descontrolado e com a sensação de fragilidade (algo que ele detesta!).

         Não pode ser incomodado e, à primeira suspeita de intrusão na sua vida particular, corre para se esconder no fundo de um buraco, que é dele, só dele e de ninguém mais do que ele! (Que fique claro, para que não haja confusões.) Ainda não dissemos, mas ele sabe muito bem cavar buracos, bem profundos, que lhe permitem ficar livre da presença – intimadora – de qualquer outro ser vivo. Essa sua “hipersensibilidade” torna-o arredio e fugidio. Não raro pode ser visto longe do lar, fugindo da relação com sua parceira e, por incrível que pareça, mostrando uma boa capacidade de relacionamento social, sobretudo com fêmeas.

         Quem o vê de longe pode confundi-lo com um bicho preguiça, e pensar que é lento demais. Leva um tempão para fazer coisas que outros bichos fazem em um segundo (sobretudo algumas fêmeas), mas, quem pense que sempre é lento está muito enganado. Quando sente a presença assustadora da sua companheira querendo penetrar em seu território, foge com uma rapidez que bem poderia transformá-lo em campeão de alguma corrida de velocidade.

         Mas não lhe peças coerência. Sua auto-estima depende quase totalmente da opinião que a sua parceira tem sobre ele. Basta que ela discorde dele em um assunto importante, ou emita uma opinião crítica a seu respeito, para ver como, afundado no maior desespero, e em um tom lacrimoso, afirma: “Ela não me dá valor!”

         - E orelhas, tem?

         - Claro, mas só as utiliza para ouvir aquilo que lhe interessa, mais nada. Outro tipo de som, só o faz partir em disparada.

         Por outro lado, como qualquer bicho, possui um par de olhos, mas poder-se-ia dizer que não lhe são de muita utilidade... Não chega a ser cego, mas bem que parece. Só percebe as coisas mais evidentes, não repara nos detalhes e não consegue prestar atenção em mais de uma coisa por vez. A sua parceira pode fazer mil manobras para que ele perceba algum detalhes novo, algo que ela fez com seu cabelo, suas roupas ou outras novidades do tipo, nada feito, ele não enxerga!

         - É tudo?

         - Não, estava esquecendo, é incapaz de emitir qualquer som! Vive mudo e vai morrer calado.

         - Muito bem, agora poderiam responder a mesma pergunta sobre os homens?