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Por que os homens têm tanta dificuldade para compreender as mulheres? PDF Imprimir E-mail
Artigos por Temas - Relacionamentos
Escrito por Silvia Geruza   
Ter, 07 de Outubro de 2008 10:06

UMA GOLFINHA

         Para começar, uma mulher é uma Golfinha. Como é uma Golfinha? Ah! Ela é adorável, tida lisinha, sua pele é muito macia, e, que não se esqueça, suas formas lindas de morrer (e aqui entre nós, ela adora mostrá-las). Sua voz é tão melodiosa que, quando se comunica, mais parece entoar um canto. Seu proverbial bom humor só é comparável ao do Chimpanzé. Está sempre alegre e risonha, é fisicamente incapaz de dispensar um bom papo. Comunicação é com ela mesma. Ninguém é mais sociável do que ela, e anima qualquer roda.

         Tem uma disponibilidade infinita. Para ela a palavra programa tem umas 700 acepções. É animada como ninguém e vive descobrindo novos lugares para conhecer e curtir. Adora passear e se divertir, sua companhia é das mais agradáveis. Quando obrigada a ficar presa durante um período longo, perde o viço e até parece que vai morrer. É chegada em uma novidade, isto é, não seria errado dizer que para ela a vida deve ser sempre uma seqüência de novidades. Uma vida sem novidades seria para ela uma vida vazia. Se alguém quiser vê-la definhar... é só propor-lhe uma companhia desanimada, parada, quieta, conformada. Se ficar parada, tem a impressão de que está sendo levada pela correnteza, para trás! Não se pode esquecer que ela é encantadoramente sedutora (também sabe ser diabolicamente sedutora, é claro). E, posto que falamos disso, ama rolar e ser abraçada. É fascinada pela água, e é doida por um bom banho. Destaca-se, sobretudo, pela sua aguda inteligência. Utiliza qualquer pretexto para aprender com a experiência e para mudar e crescer. Detesta rotinas (são sua morte) e tem uma criatividade fantástica.

         Seus olhos, além de muito belos, conferem-lhe uma capacidade de observação inigualável. É capaz de prestar atenção a várias coisas ao mesmo tempo: vê, ouve, faz (mais de uma coisa de cada vez), conversa, pensa e sonha... tudo ao mesmo tempo, sem perder a concentração, nem diminuir suas performances. Pensa que os bichos que não são capazes de fazer a mesma coisa são de má fé ou... simplesmente micróbios.

UMA TARTARUGA

         Como no caso do homens, a mulher também está constituída por um outro bicho, ela é uma Tartaruga.

         - Por que uma Tartaruga?

         - Porque, faça o que fizer, ela nunca deixa de preocupar-se com a casa. Parece que leva a casa nas costas. Pode estar longe ou perto, mas nunca esquece da casa. (Uma Tartaruga deve ter inventado essa história de “quem casa quer casa”.) E, tratando-se de casa, ela tem objetivos muito concretos. Por mais que tenha uma casa, ela sempre está pensando na próxima. Depois de morar um tempo em um lugar ela começa a sentir que já não está morando em uma casa, mas que está demorando em uma casa! Pode demorar, mas ela tem uma paciência e uma determinação inesgotáveis e infinitas, e dia chegará em que ela mudará. A casa que tem é cuidada com muito esmero. Volta e meia a põe de pernas para o ar. Pode não ter mudado de casa, mas mudou a casa. Não basta, mas ajuda. Quando quer algo, pode ser a passo de Tartaruga, mas acaba conseguindo atingir seus objetivos, sabendo persistir até a morte. Seu olhar é um pouco triste e não chega muito longe, seus horizontes são para lá de estreitos. Seus olhos parecem ter uma obsessão por pequenos detalhes, sobretudo aqueles banais e não muito importantes. Horários... não se pode pedir de Tartarugas que sejam muito ligadas nessa questão de horário. Por que tanta pressa? Está invariavelmente atrasada, aparecendo depois da hora combinada e não compreende como alguém pode complicar a vida por uma questão tão tola: o tempo. Ora o tempo, afinal de contas o que é o tempo? Despreza os maníacos escravos do relógio e da pontualidade. Seu lema é: devagar que estou com pressa.

         A Tartaruga é uma batalhadora, e também sabe muito bem procurar sustento para a família, mas, seja como for, por mais que saia para procurar sustento, continua com a sua preocupação, isto é, acaba acumulando as duas funções. A casa sempre sobra para ela, ela é quem toma conta. Acaba sendo seu território e ai de quem quiser se meter a dar palpites sobre sua administração e funcionamento. Pode dar-se muito mal.

UMA ARARA

         Só?

         - Não, já disse que são três. A mulher também é uma Arara. Destaca-se pelo colorido intenso de sua plumagem. É muito vistosa e mestra na arte de chamar a atenção. Tem um bico muito poderoso, capaz de muitas façanhas. Queres um exemplo? Corta qualquer coisa, até ferro, se descuidar. Falar... ah!, falar é com ela mesmo. Vive atormentada por uma intensa e avassaladora necessidade de falar. É algo inato e indiscutível: ela precisa falar. Quanto menos se fala com ela, mais ela quer falar. O silêncio do parceiro é mais do que uma ofensa, é um verdadeiro desaforo, é uma agressão caracterizada.

         A Arara desconhece o significado da expressão: “Em boca fechada não entra mosquito.” Por falar em mosquito, para ela bicho que é bicho fala, quem não fala, mal atinge a categoria de inseto! Não entende que alguém possa ficar de bico calado por muito tempo. Ela sabe quão bom é falar, e fala.

         Queres vê-la transformada em uma fera? É só tentar impedi-la de falar!

         Ela é capaz de se comunicar, com facilidade, com bichos de qualquer espécie. Se compreende o que o outro diz, é outra conversa. Mas quem se importa! O que conta é falar. Porque ouvir já não é com ela, sua especialidade é outra.

         - É surda?

         - Não chega a tanto. Mas suas orelhas são tão miúdas e estão tão escondidas, que manifesta certa dificuldade para ouvir. Bem, quando se trata de algo ruim não deixa escapar uma única palavra e ficara ruminando a coisa por muito tempo. Não é muito coerente. Seu terror pânico de não ser ouvida, faz com que o silêncio do parceiro lhe dê a impressão de que ele não quer conversa com ela. E isso é o mesmo que a ameaçar de morte. Daí a inferir: “Ele não me ama!”, é só uma pequeno passo.

         - Nessas circunstâncias, sua auto-estima fica deste tamanhinho...

         - E esse sentimento provoca, invariavelmente, uma verdadeira torrente de palavras.

         Seu olhar é de suspeição e está sempre alerta para quilo que não funciona dentro da relação. Repara, com extrema facilidade, nos defeitos do outro, e naquilo que não funciona. Sua visão é proverbialmente curta, mas, quando se trata de suspeitar de presenças femininas em torno do parceiro, tem olho de gavião, enxerga de muito longe. Essas “presenças” sempre a fazem ver coelho no mato. Além do mais, a simples suspeita é transformada em certeza, em realizada. Apronta aquela confusão... e faz voar pena para todos os lados.

         - Sempre tem uma reclamação, ou uma cobrança, na ponta da língua. Língua que, por sinal, pode ser muito venenosa, de víbora, afirmam alguns. Igual ao Tatu... não brilha pela sua inteligência, o tamanho dos seus cérebros, já o dissemos, é exatamente equivalente: mi-nús-cu-lo. Mas, possui uma prodigiosa memória, que mais parece de elefante, jamais esquecendo uma mágoa, um mau momento.