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Artigos por Temas - Saúde
Escrito por Silvia Geruza   
Qua, 22 de Outubro de 2008 09:08

 O alcoolismo surge como sendo a segunda droga que mais destrói, isso em níveis de degenerescência orgânica, sendo imbatível, no entanto, nos casos considerados como “efeitos colaterais”.

Se forem computadas as mortes decorrentes de brigas, acidentes automobilísticos e outras tantas manifestações de violência e que tiveram no álcool sua instância inicial, teremos o alcoolismo como a droga que mais destrói - assim computada, sua ação fulminante é 200 vezes maior do que o próprio tabaco, que mata 100 vezes mais do que todas as drogas juntas. A associação do álcool com outras drogas possui efeitos incontroláveis e até irreversíveis pela combinação incongruente de seus componentes. E mesmo o nível de violência intolerável que está associada ao alcoolismo é também motivo de preocupação dos profissionais da saúde que atuam e refletem sobre a temática.

Outro componente bastante dramático é o fato do próprio usuário se embriagar com quantidades excessivas de bebidas – uma violência extremada contra si mesmo – e depois seqüencial também ao ouro – seja por cenas lamentáveis e repugnantes proporcionadas pela embriaguez, seja por ações de violência física.

O alcoolismo, ao contrário do tabaco, que somente nas últimas décadas passou a ser considerado droga letal, possui conotações explícitas de destrutividade por parte de seu usuário. Em que pesem possíveis discussões sobre a dependência orgânica que impede o simples desejo do usuário de abandoná-lo, ainda assim o alcoolismo, pelas suas próprias mazelas de destruição que provoca no organismo até mesmo quando de sua simples ingestão, tem uma destrutividade em seu bojo inegável por todos. É uma das formas lentas e irreversíveis de suicídio das sociedades contemporânea. Destrói de maneira lenta, segura e eficaz. Suas chances de falha são praticamente nulas em um determinado momento, incluindo-se aí o tempo de ingestão da bebida e o grupo ao qual ela pertence e suas mazelas são praticamente irreversíveis. É comum pacientes que possuem comprometimento hepático em graus avançadíssimos e que não podem se aproximar de um copo de bebida, seja pela dependência orgânica do álcool, seja pelo teor de destrutividade de sua própria condição existencial, voltarem a beber de maneira decididamente letal.

É importante ressaltar que o álcool, assim como a nicotina, também se incrusta no organismo e, para que o metabolismo se processe, sua presença é clamada de modo paradoxalmente alarmante.

O alcoolismo, de todas as drogas, é o que traz, de modo mais vincado, a pecha da morte e da destruição em seus cerimoniais. Se em outras drogas a destrutividade pode ser simplesmente rechaçada, no quadro do alcoolismo, isso não ocorre.

Na maioria das culturas, o álcool é o depressor cerebral mais freqüentemente usado e uma causa considerável de morbidade e mortalidade. Em algum momento de suas vidas, até 90% dos americanos adultos tiveram alguma experiência com o álcool e um número substancial deles (60% dos homens e 30% das mulheres) teve um ou mais acontecimento vital adverso relacionado ao álcool (por ex. Dirigir após ter consumido álcool em demasia, perder aulas ou dias de trabalho devido a uma ressaca).

A característica essencial da intoxicação com álcool é a presença de alterações comportamentais ou psicológicas clinicamente significativas e mal adaptativas (por ex: comportamento sexual ou agressivo inadequado, instabilidade do humano, prejuízo no julgamento e no funcionamento social ou ocupacional) que se desenvolvem durante ou logo após a ingestão de álcool.

O álcool misturado com outras substâncias produz algumas alterações: fala arrastada, falta de coordenação, marcha instável, prejuízo na atenção ou memória, estupor ou coma.

Nos indivíduos alcoólicos, sua transpiração cutânea, até quando adormecem e mesmo sem terem ingerido álcool em períodos recentes, ainda assim transparece fortemente o seu envolvimento com o álcool. Isso pode ser afirmado sem a presença de exames clínicos que poderiam então mostrar a completa deterioração dos órgãos desses indivíduos – coração, pulmão, rim, etc.

DSMIV- possui um quadro de transtornos induzidos por álcool, descritos nas seções do manual relativo aos transtornos, cuja fenomenologia mostra delírio por intoxicação com álcool, por abstinência de álcool, demência persistente, transtorno anestésico persistente, transtorno psicótico, transtorno do humor, transtorno de ansiedade, disfunção sexual e transtorno do sono.

Organicamente o álcool afeta o trato gastrintestinal, o sistema cardiovascular e o sistema nervoso periférico.

Efeitos gastrintestinais: gastrite, úlceras gástricas ou duodenais, e, em cerca de 15% dos indivíduos que consomem álcool em grande quantidade, cirrose e pancreatite. Há também uma taxa aumentada de câncer de esôfago, estômago e outras partes do trato gastrintestinal.

Uma das condições médicas associadas mais comuns é a hipertensão de baixa intensidade. Esses fatores também contribuem para um risco elevado de cardiopatias.

QUADRO DOS EFEITOS DO ÁLCOOL:

Tolerância

Risco de Dependência Física

Risco de Dependência Psicológica

Risco à Saúde

Gradual

Alto

Alto

Doenças hepáticas e neurológicas, câncer de estômago, laringe e esôfago, doenças cardiovasculares, má formação cognitiva e degeneração cerebral.